Translate

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 19

Dia 18 – 30 de Agosto

de Alma e Coração


Este lugar é super sossegado, tirando os hóspedes do quarto ao lado que decidiram falar, “brincar” e depois sair de saltos altos e voltar tarde, tivemos uma noite tranquila.




Ontem a senhora da casa recomendou-nos um monte de sítios para visitar, orgulhosa da sua zona, mas claro que não vamos poder ir a todo o lado.

Escolhemos passar por um dos sítios que ela referiu – Portugalete (o nome ficou-nos no ouvido…) – mas só depois de passar por Bilbao.

Chegados a Bilbao o que queremos mesmo ver é o Museu Guggenheim – por fora, claro, que entrar lá dentro levaria um dia inteiro a visitar.

Wow! Que criação magnífica! Damos a volta completa ao edifício e não há ângulo que não seja fotogénico! É impressionante como foi possível criar um edifício assim. Uma obra de arte gigantesca, tal como as catedrais que temos visto no caminho.





Há uma exposição fotográfica que mostra como era este lugar antes – um estaleiro feio e cheio de negrume dos tempos de fábrica. Foi daí que surgiu o impulso criativo para esta gigante “escultura” – a temática fabril, de estaleiro portuário.





E agora este espaço está totalmente reabilitado, respirando vitalidade e modernismo, limpo e irreverente.






É daqueles sítios que se visita e se fica cheio de um não-sei-quê tilintante, aquele frenesim que enche as veias de paixão pela vida. Hummmm que bom é transbordar de criatividade e inspiração!



Até o cão feito de flores à entrada desta Catedral das Artes é simplesmente fabuloso!




Estamos nem sei dizer como. Acho que as palavras chegam a ser demasiado limitadas para descrever estas sensações de bem-estar, equilíbrio, placidez, sei lá, é um transbordar de plenitude. De tal forma que num semáforo à saída de Bilbao há uma estátua que vista de um certo ângulo parece Jesus a descer dos Céus e a abençoar-nos em pessoa!



E agora é a vez de Portugalete.

Esta cidade tem a ponte transportadora mais antiga do mundo – a primeira a ser construída em 1893 e é hoje Património da Humanidade. É uma espécie de ferry suspenso por uns cabos que através de umas roldanas colocadas numa estrutura de ferro desliza de um lado ao outro do rio, levando carros e pessoas.



Valeu a pena vir ver, não só a ponte transportadora (rolante – como lhe chamam aqui em Espanha), como o resto da vila com um arquitetura interessante.




 Paramos algum tempo num bar para tomar um chá de roiboos com baunilha e comer uma tortilha e depois não resistimos a um bolo comprado numa pastelaria que nos piscou o olho logo à chegada a Portugalete. Os bolos são tão grandes que acabamos por ficar empanturrados de doce! Especialmente porque não temos comido este tipo de coisas. Hoje já não vamos comer durante umas largas horas, de certeza.


Trouxe a saqueta de chá para por numa das garrafas de água 😉 Assim temos chá fresco num instante, o resto do dia.

A chuva decidiu dar-nos tréguas para podermos passear e ainda bem, porque não temos roupa nem calçado para este tempo. De todo o modo sabe-nos bem o tempo mais fresco.

Não é de espantar que a chuva tenha amainado, porque na verdade fizemos a escolha de poder visitar Portugalete de forma simples e confortável e ainda que não sejamos donos e senhores do clima, de uma forma ou de outra chegámos na hora certa, em sincronicidade para encontrar o resultado da nossa escolha.

A minha escolha do dia, esqueci-me de te dizer, é: Serenidade em total entrega à minha Essência.

E não podia deixar de ser assim, porque ao cabo de tantos dias em liberdade total, com tantas horas de silêncio, apenas sentada no carro a apreciar as vistas, não posso estar senão em Serenidade.

É como se a minha Essência me tivesse convidado para ir a um jardim botânico mas num carrinho que me leva pelo parque, para apreciar tudo só pelo gosto de apreciar. É assim que me sinto.

Ah, mas tenho que te explicar o porquê do nome: Portugalete.

Enquanto estamos a olhar para o mapa, numa das ruas da cidade, uma senhora simpática pergunta-nos se precisamos de alguma coisa. Diz-nos que trabalha para a câmara e que está ao nosso dispor. 

Ficamos maravilhados! Uma funcionária pública a oferecer-se para ajudar turistas na rua!!! Que privilégio. Seja como for não temos, assim de repente, nada para perguntar.

Ela segue o seu caminho e depois lembramo-nos que lhe poderíamos ter perguntado qual é a etimologia do nome da cidade. “Mas adiante, a oportunidade já passou” – dirás tu.

Errado. 

Quando vamos a chegar ao carro, com quem é que nos cruzamos novamente, mesmo em frente ao posto de turismo? Com a senhora simpática que começa por dizer-nos que adora Portugal e que costuma ir lá passar as férias do verão todos os anos. Isto porque lhe dizemos que somos de Portugal e estamos intrigados com o nome da cidade.

Ela sorri, e informa-nos que, apesar de parecer ter alguma coisa a ver com Portugal há várias hipóteses e nenhuma delas inclui o nosso país. A mais plausível é que a palavra seja uma combinação de Portu (porto) e Galete (galeão), sendo este um importante porto de passagem.

E fica assim satisfeita a nossa curiosidade. Agradecemos e despedimo-nos para seguir rumo a... bem, isso decidimos entretanto, deixando que o nosso "faro" para lugares magníficos nos guie.

Para não destoar, a próxima paragem é num lugar igualmente deslumbrante, mas desta vez de cariz Medieval. Chama-se Santillana del Mar e está situada na região Espanhola da Cantabria. Ficamos fascinados com o estado de conservação impecável de todo o casco histórico, o pitoresco e antiquíssimo esboço do que seria a vida há algumas centenas de anos atrás. Pertence com muita dignidade à rede das aldeias mais bonitas de Espanha.




A igreja românica é uma relíquia encantadora, como aliás tudo o resto aqui.


Diz-se que é a Vila das Três Mentiras porque não é um Santo (Santi), nem plana (llana), nem fica perto do mar. Mas o nome deriva de Santa Juliana (Santa Illana) cujos restos mortais se encontram na dita igreja.

Perto de Santillana situa-se a Caverna de Altamira, um dos conjuntos pictóricos mais importantes da pré-história e faz parte, mais uma vez, do Património Mundial da UNESCO.

Ainda chegamos a ir até à entrada mas decidimos não apear-nos para a visitarmos desta vez. Pode ser que de uma próxima que passemos de novo por estas paragens a visitemos.

Seguimos para San Vicente de la Barquera, uma vila- baía à beira das Astúrias. Outro lugar muito bonito e harmonioso, com praias, rio, história e serra tudo à mistura.






Quanta beleza aguentamos num dia?... Resposta incógnita! Realmente é preciso ter um coração forte para aguentar tanta abundância, tanta intensidade de uma assentada só!

A próxima paragem é em Ribadesella onde encontramos um extenso relvado à beira do rio, com bancos e mesas e água para lavarmos a loiça do almoço/jantar.

Adoooro andar assim ao ar livre todo o dia! Sinto-me como uma Pocahontas, irreverente e descomprometida com os desígnios sociais que normalmente nos restringem. E ainda por cima tenho a honra de poder viajar com um companheiro igualmente índio! Pode dizer-se fielmente que toda esta combinação é perfeita – nós, os lugares por onde passamos, a harmonia que sentimos e vivemos, a cumplicidade no sentir e no discernir. Se “Perfeito” existe é isto.

Depois de algum tempo no relvado imenso onde observamos a calma que inunda as pessoas ao passearem em torno deste verde à beira-rio, seguimos para Cudillero – uma vila costeira que a Sara (de Barcelona) nos recomendou vivamente.

Passamos ainda por Gijón no caminho, mas não paramos.

Chegados a Cudillero vemos um amontoado de casas, empertigadas por uma escarpa acima, todas umas em cima das outras, com cores diferentes como se fossem um bouquet bem arranjadinho para oferecer a uma bela dama. É realmente fora do comum este vilarejo piscatório e vale a pena a visita.



O sol põe-se no horizonte, difundindo uma névoa rosa alaranjado e as luzes da aldeia começam a acender-se, cintilando monte acima como uma árvore de Natal.


Subimos pelas ruelas estreitas, tal e qual cabras montanhesas em busca de um poiso mais alto para mirar a paisagem que se estende mar adentro, até onde a vista alcança. A dado momento decido parar de subir, já vi o suficiente, mas o Pedro ainda sobe mais. Combinamos encontrar-nos lá em baixo.

Há imensa gente a chegar para o jantar. Deve comer-se aqui excelente marisco e “pescado”, como se diz aqui em Espanha. Mas nós já temos o papo cheio, de comida e de beleza, por isso basta-nos desfrutar do panorama invulgar de Cudillero.


Faz-se noite rápido e é hora de arrepiar caminho para descobrirmos o "hotel drive-in" para a noite.

Tomamos o caminho para Léon mas como esta é uma zona extremamente montanhosa, optamos pela autoestrada.

Estamos confiantes de que vamos encontrar uma boa estação de serviço algures, brevemente.

Enganamo-nos.

A montanha é tão íngreme que não há espaço para grandes estações de serviço e ao cabo de uns bons quilómetros, vendo que esta estrada tem pouquíssimo trânsito, decidimos parar numa daquelas áreas de repouso à beira da autoestrada, só que esta é super pequena, mas ainda assim absolutamente tranquila.

Está um frio de rachar e aprontamos a nossa carvan num instante! Lavamos os dentes com água da garrafa e estamos prontos para uma boa noite de sono. Ao menos hoje não temos que nos ralar com o calor e podemos dormir aconchegadinhos debaixo dos nossos sacos de cama que até agora pouco usámos.

E que sossego! Já para não falar do ar puro de montanha que nos enche os pulmões e a alma.

Hummmm! Bons sonhos <3


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 17

Dia 16 – 28 de Agosto

Harmonia ao quadrado


Levantamo-nos meio estremunhados da noite pouco dormida mas ainda assim com um sorriso nos lábios e os olhos a cintilar de gratidão.

A minha escolha para o dia de hoje é a mesma que a de ontem – abraçar a pura bem-aventurança da harmonia e do equilíbrio, em completa rendição à minha Essência.

A nossa primeira paragem do dia é em Toulouse e não são ainda 8h da manhã, pelo que a cidade está a despertar.

Damos uma grande volta pela cidade, que apreciamos na usa majestade.



Ao cabo de duas horas chegamos ao carro. São exatamente 10h04, a hora que constava do tiquet de estacionamento pelo qual pagámos 1,50€.

As cidades são bonitas, não há dúvidas quanto a isso, mas é mesmo a natureza o que nos apaixona e preenche.

Mais um dia com as vistas preenchidas de verde e harmonia entre a mão humana e a força da Mãe Terra.




Não se vêem por aqui vestígios de fogos. Aliás, há árvores por todo o lado, bem poderosas e saudáveis.

Se ao menos em Portugal a consciência de massas chegasse ao entendimento de que não é o dinheiro fácil que leva à felicidade, que não é a destruir este bem tão precioso que são as árvores, criadoras de oxigénio e purificadoras do ar, que vamos conseguir criar um país estável, com uma economia robusta e um povo sorridente! Que não é a plantar eucaliptos sem fim que vamos repovoar as florestas e enriquecer, de todo, e que todos os nossos actos têm consequências que experimentamos na pele, 100% das vezes.

Sabemos que não há propósito em lutar contra as circunstâncias, mas que podemos escolher criar uma forma diferente de viver, uma consciência diferente da vida e do mundo que nos rodeia e com isso estamos a abrir novos caminhos e possibilidades.

Por mais incrível que pareça, não é na luta que reside a mudança, mas sim na aceitação, pois é ao cairmos nela que saímos da agitação das circunstâncias externas e podemos discernir com clareza que caminho seguir. É essa clareza que nos dá a força para quebrar as barreiras do que é geralmente aceite e instituído e nos permite caminhar através da “selva” sem nos chamuscarmos no fogo da inconsciência, levando a bom porto o nosso barco de mudança de paradigmas, crenças e costumes. A luta mantém o sistema, alimenta-o. O desapego e por sua vez a aceitação, permite-nos deixar de alimentar esse sistema e criar outro que nos sirva melhor, contribuindo assim para um todo mais harmonioso.

Bem, de volta à Eco-Trip.

Hoje também gostaríamos de mergulhar num lago, por aí e encontramos um, mas está tão seco que a água que resta não dá para banhos. Ainda assim, ficamos ali naquele silêncio algum tempo, apenas a respirar, a sentir a Terra, o sol, a brisa, a vida.

Seguimos. Está na hora de almoçar e numa aldeia, viramos à direita para ver onde vamos dar. Damos de caras com um bosque de gigantes carvalhos. O sítio ideal para um piquenique e por ali nos quedamos, debaixo das árvores a comer ainda alguns restos de Itália e outros já de França na nossa salada maravilha.

Pela tardinha passamos por Pau – uma cidade digna de postal e por outras belas vilas e aldeias nos Pirinéus. Paramos em Oleron Sainte Marie e comemos uns bolos caseirinhos de fazer crescer água na boca só de olhar.




Mais para o final da tarde chegamos a Saint-Jean-Pied-de-Port, um vilarejo de peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. É tão bonito!



Consideramos ficar numa estalagem ou hospedaria mas depois decidimos arriscar um daqueles campings que se vêem tanto por aqui, à beira da estrada, em campos verdes e com bom ar.
Acabamos por sair da estrada principal porque o parque que vimos primeiro está muito junto à estrada e ouve-se demasiado o barulho dos carros.

Seguimos as indicações para outro camping e chegamos a um sítio bem sossegado, com uma grande casa lá ao fundo.

Pertence a um velhote que pelos vistos aluga parcelas do seu jardim para autocaravanas e tendas. Tem umas boas casas de banho com água quente e é super, mas mesmo super barato! Só 14,50€ com tenda e carro.




É aqui que vamos ficar!

Depois de montarmos a tenda, vamos à vila, ao Intermarché, para lavarmos os nossos lençóis, toalhas e mais algumas peças que estão a precisar de umas cambalhotas na máquina. Deixamos tudo a lavar e vamos dar uma volta à vila para depois vir pôr tudo a secar e usar ainda hoje os lençóis fresquinhos na nossa "Cama Real" super confortável.

Está a chuviscar e é uma alegria sentir também este tempo diferente na nossa viagem que tem sido bem tórrida até agora.

Quando voltamos para a tenda está a escurecer e hoje temos a certeza que vamos dormir como uns anjinhos, neste silêncio tão aconchegante aqui no campo.

Hoje é dia da sessão de Respiração Consciente e vou ter que me sentar na rua, com o chapéu de chuva, à beira de uma árvore onde estão as tomadas, porque o router está sem bateria.

Corre muito bem 😊 e sabe-me pela vida poder ficar aqui assim ao ar livre, à chuva, a respirar com Portugal, tirando o máximo partido das circunstâncias, grata por tudo.



sábado, 13 de janeiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 16

Dia 15 – 27 de Agosto

Harmonia
 

Hoje é mais um daqueles dias em que tenho uma “banheira” natural mesmo à porta de “casa”, e ainda que não haja esquentador, a água fresquinha espevita-me os poros e faz com que o sangue brinque ás estafetas por todo o meu corpo. Hum! Que revigorante!

Não há nada como um bom banho de água cristalina e gelada para me encher de Paixão pela vida!

E assim escolho para o dia de hoje abraçar a bem-aventurança de viver em harmonia e equilíbrio, completamente entregue à minha Essência.

Depois de reconvertermos a super-viatura em veículo de ligeiros pomo-nos a caminho.

Passamos por Pontaix e muitas outras aldeias rupestres, com casas típicas dos Alpes e verdes campos a perder de vista, quebrados apenas pelos cumes gigantes que ora se erguem ora se despenham em vales abundantes.

A dado momento avistamos uma praia fluvial lindíssima e cortamos por uma estradinha que não parece levar a lado nenhum, pelo que voltamos para trás e desistimos da ideia de mergulhar nessas águas límpidas que vimos ao longe.

Mais à frente, numa aldeia pitoresca, decidimos ir à procura de poiso para tomarmos o pequeno almoço e vamos dar a um campo de futebol e parque de autocaravanas, onde há uns bancos de madeira para descansar.

Há também ali um miradouro. Decidimos ir ver a vista. Sabes o que é que encontramos??? O tal lugar lindo mesmo lá em baixo – chama-se Pont du Diable e fica em Thueyts. Daqui dá para ver como se vai para lá e concluímos que íamos no caminho certo, naquela estradinha de há bocado.




Comemos e voltamos para trás porque aquela praia fluvial é mesmo muuuuito linda!

Tomamos um belo banho – o meu segundo do dia, com água igualmente fresquinha.


Começam a chegar famílias e mais famílias, com chapéus de sol e farnel para todo o dia. Realmente é um bom lugar para passar o dia de domingo. Mas nós não vamos ficar. Hoje temos ainda um bom par de quilómetros pela frente.

Estamos felizes até ao tutano, até ao cerne das nossas células, até à mais ínfima molécula! Que liberdade boa, esta!

Aí vamos nós como borboletas ligeiras, esvoaçando pelos prados.

Por volta das 14h decidimos parar para o almoço, uma vez que nem na ida nem na volta ainda almoçámos um repasto típico de França.

A vila chama-se Les Pradelles e escolhemos um restaurante no centro histórico cuja ementa nos parece bem.

Bebemos um vinho com especiarias típico daqui para aperitivo e cerveja com frutos vermelhos para provar algo diferente. Pedimos os dois pratos diferentes do dia e quando chegam ficamos um pouco perplexos a olhar para aquilo. 

O meu tem umas fatias de presunto com alguma salada e umas batatas no forno ás camadas e o do Pedro é uma salsicha cujo recheio não lhe agrada muito pois sabe bastante a porco, também com umas batatas mas mais para o cozido. 

Com o meu, vem um copinho com uma coisa branca, um creme que sabe a iogurte e que deduzo ser como uma maionese ou assim. Bem, começamos a comer e vou molhando o presunto e ás vezes também as batatas no copinho. As pessoas à nossa volta olham para nós de forma estranha, mas deve ser por não sermos daqui.

Mais para o final da refeição começamos a aperceber-nos de que na verdade o dito copinho com o creme branco era a sobremesa!!!!!! Por isso é que o empregado tinha trazido um frasco com açúcar!!!! Quando nos damos conta do nosso disparate, principalmente o meu, começamos a rir a bandeiras despregadas. Era por isso que nos fitavam como aliens. Heheheheheheehe… mas valeu a pena a tolice para agora nos podermos rir de nós próprios. É sempre uma maravilha podermos fazê-lo!

Quando se viaja por outras paragens com diferentes costumes estes episódios ocorrem sempre, com maior ou menor frequência e são momentos únicos que apimentam qualquer viagem.

Vamos!

Paramos em Mende, uma linda cidade histórica e passamos por Les Salelles e Laissac. Fazemos muito quilómetros e estamos com vontade de mais um banho para refrescar.




Seguimos umas tabuletas que nos parecem ir dar a um lago mas… damos com um rio onde não se pode ir ao banho e onde só se pesca. Ainda assim aproveitamos para comer umas amoras doces e suculentas.

Retomamos o caminho sempre com a intenção de encontrar uma aguinha para nos banharmos, o que a esta altura parece bastante impossível porque no mapa não há rios, lagos ou ribeiros.

Estamos, no entanto, determinados.

A dado momento vemos umas placas a indicar uma coisa chamada Cap Découverte e a imagem mostra uma pessoa a fazer windsurf. Será possível?

Saimos da estrada principal e vamos à descoberta do Cap Découverte. Está bem indicado, deve ser um lugar importante.

Quando chegamos vemos que é um parque com diversões várias, onde se praticam desportos radicais e imagina o que encontramos: lá no fundo há uma praia artificial!!!! Com montes de gente a fazer ski aquático e há um teleférico para chegar lá abaixo. 

Como já é final da tarde, são cerca das 18h30 e isto fecha ás 19h30 perguntamos ao rapaz que está junto do teleférico se ainda dá para ir ao banho e ele acena afirmativamente. Perguntamos se se paga para descer e ele diz que não. Nem dá para acreditar! Vamos não só ao banho, como de teleférico e sem pagar um tostão!



Foi sem dúvida a descoberta do dia este Cap Découverte.

A praia tem areia como uma praia verdadeira, há balneários, chuveiros, tudo.


Divertimo-nos por ali um tempo e chega a hora de termos que voltar a subir no teleférico. Felizes! Muito felizes 😊

Como ainda é de dia vamos até Albi, que é mesmo ali ao lado e encontramos uma cidade que respira harmonia. Tem a maior catedral de tijolo do mundo e toda a construção da cidade foi criada de acordo com isso, sem destoar. Adoro os vasos floridos nos parapeitos da janelas, as ruas limpas, o sossego. Enfim, estou nas sete quintas.


Como já é final de tarde comemos um farnel que tínhamos no carro, junto ao estacionamento. Vou ao parquímetro e sai-me um tiquet que dá até ao dia seguinte de manhã! Entretanto apercebemo-nos que a esta hora já não se paga por isso o tiquet só começou a contar a partir da primeira hora paga de amanhã. Bem, não faz mal, este euro é o nosso contributo para o Município, tão bem cuidado que encontramos.

Passeamos bastante, tranquilos, num estado de verdadeiro contentamento.





Já noite decidimos ir à procura de lugar para dormir – na carvan.

Depois de algumas tentativas paramos numa área de repouso e o giro é que o Pedro queria um sítio com uma tomada para carregar um pouco o telefone e a casa de banho aqui tem essa tomada!

Parece-nos em princípio que vamos dormir bem aqui.

Mas enganamo-nos. Toda a noite é um corrupio de camiões a chegar e a partir e carros e gente a fazer barulho na rua.

Nem eu nem o Pedro conseguimos pregar olho, mas pelo menos descansamos.


Dormir ou não pouco importa, depois de um dia tão bonito como o de hoje. Aceitamos cada momento.