quarta-feira, 2 de março de 2016

Tomar entre o Céu e a Terra

Escrito no dia 1 de Março - dia de Aniversário da Cidade de Tomar fundada, diz-se, no dia 1 de Março de 1160 pelo Grão Mestre da Ordem dos Templários D. Gualdim Pais


Se há coisa que adoro é despertar pela manhã sentindo a cidade serena, sem o bulício de um qualquer dia atarefado perdido nas obrigações da semana. Hoje foi precisamente um desses dias de cidade serena, deleitando-se num alegre saltitar de raio em raio que o sol tão generosamente lhe ofereceu. É que hoje o azul celeste do céu ouviu o sino do Convento de Cristo repicar, dizendo que era hora de celebrar o dia de tão ilustre cidade. Ilustre mas singela no seu encanto, numa combinação perfeita entre a força valente da masculina Ordem dos Templários e a graciosidade suave das suas ruas e jardins.

Nem o ruído da motosserra do vizinho entretido na poda das suas árvores conseguiu tirar-me a paz de ficar aconchegada no colo quentinho do meu macio edredão até que fora hora de enfim abrir os olhos para um dia igualmente aconchegante.

De entre muitas outras atividades comemorativas do dia da cidade houve hoje dois momentos de visita guiada ao Convento de Cristo e Castelo, oportunidade que decidi aceitar com muita gratidão.
Subindo pelas pedras de calçada gasta, apreciando o verdejar que orla esse majestoso monumento que vigia perenemente a cidade, porventura cheguei à porta do dito lugar. Dei-me conta que não levava a minha pequena máquina fotográfica que tanto gosto de usar para capturar o que o olho vê, nem sempre com sucesso mas pelo menos com vontade.

Nem de propósito acerca-se um indivíduo num motociclo que reconheci entretanto como sendo um amigo, também ele apreciador do olho fotográfico. Vinha em passeio, aproveitando o bom tempo e as artes templárias representadas no interior das muralhas do castelo. Eu vinha para a visita guiada. E qual não é o meu espanto, com muito agrado é certo, quando digo que é pena eu não ter trazido a minha máquina, ao que ele responde entregando-me a sua! “Toma, usa esta que eu tenho aqui outra.” Estas simples co-incidências de quereres e poderes fazem-me sempre sorrir com grato agrado.

Ele acabou por vir também à visita guiada que muito apreciou pelo sentido de humor e simplicidade e no final quando cada um tomaria o seu próprio rumo de volta às terras baixas da cidade contou-me a improvável história da sua máquina – aquela que ele agora usa.

Este meu amigo tem por hábito preencher algum do seu tempo livre passeando o seu olhar improvável por pormenores do meio envolvente que lhe despertam o gosto fotográfico e por fim oferece-nos estes seus olhares artísticos partilhando alguns álbuns na sua página Facebook. Ora uma amiga sua, fotógrafa profissional, reconheceu nele esse quê de artista ainda que percebesse que com certeza a sua máquina não seria uma das melhores. Posto isto, numa das suas visitas a Tomar chamou-o e informou-o da sua intenção de deixar a fotografia profissional, tendo que se desfazer de muito do material adquirido ao longo dessa frutífera carreira. Sendo que vender a sua primeira máquina digital profissional não lhe renderia nem um quinto do valor investido decidiu entrega-la a este amigo de que vos falo. Ele, com muito espanto disse “muito obrigada por te lembrares de mim, mas eu não tenho dinheiro para te dar por isso não posso ficar com ela” ao que a amiga retorquiu “mas eu não quero dinheiro por ela, é um presente que te dou.”

Sabes como é estranho receber presentes valiosos assim, completamente de surpresa, sem sequer ter pedido nada, não é? A princípio fica-se sem saber o que fazer ou dizer mas depois, se formos suficientemente humildes para saber receber com gratidão o que tão generosamente nos querem ofertar, sabendo ainda por cima que é uma dádiva sem recurso a manipulação, somos capazes de sorrir, abraçar, agradecer e receber para depois usar com o cuidado que tudo o que amamos de verdade requer.

E assim é que decidi partilhar contigo este pequeno episódio do meu dia 1 de Março, tendo trazido a máquina do meu amigo para casa (a sua primogénita… pois agora a profissional ocupa muitas vezes o seu lugar) para lhe entregar depois de descarregar as minhas fotos.

***
Hoje, dia 2 de Março, as nuvens decidiram colorir o azul do céu, trazidas pelo vento que entretanto se assomou da cidade… e sorrio sentindo como realmente o dia 1 de Março foi uma dádiva perfeita para que Tomar (antiga Thomar) pudesse comemorar o seu aniversário com grande pompa e circunstância junto com os seus amigos mais queridos, os habitantes e visitantes miúdos e graúdos que aceitaram o convite e participaram na “festa”.


Muito grata por viver e conviver nestas antiquíssimas terras não só Templárias, mas mouras e romanas também… tudo a seu tempo... esta mui nobre cidade onde D. Manuel desafiou as leis da igreja considerando que Castidade era coisa da Alma e não necessariamente do Corpo :)... Cada um formata a realidade como muito bem lhe aprouver e assim se vive a subjetividade dual da vida na Terra, justificada pelas crenças na unidade do Céu.

Num tempo em que as Rainhas não eram mulheres... eram Rainhas e em que por virtude de circunstâncias várias mulheres também foram Governadoras de Portugal, percebe-se que tal como hoje, de uma forma ou de outra, tudo era possível quando aceite ;)


2 comentários:

  1. Assim É Amiguinha - Tomar entre o Céu e a Terra!!! Este "Lugar" telúrico É- para Mim - O Farol sempre Presente do Meu SER!!!
    Beijinhos ternurentos!!!!
    Artemis

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