terça-feira, 27 de março de 2018

Os Bastidores do Evento Mulheres Bordadoras de Sonhos - Ecológico e Sustentável


Desde o início foi sempre muito claro para nós: o Evento Mulheres Bordadoras de Sonhos seria ecológico e sustentável, pois a Liderança Feminina passa pelo respeito à grande Mãe que nos alberga a Todos - esta magnífica e compassiva Terra onde todos os Sonhos são bordados na tapeçaria da Vida.

Começámos por pensar o que seria necessário: máquina de café, água, chá, crachás, papel, canetas, programas impressos, copos para o café e chá, colheres, açúcar, comida para os coffee breaks, flores, certificados, lembranças para as palestrantes, espaços físicos, filmagem e fotografia e respetivo material e claro voluntários para que o Evento pudesse ser gratuito e acessível a todos.

O espaço seria a Linda’s School, mas sendo a nossa meta 100 pessoas precisávamos de um auditório onde coubessem todos ao mesmo tempo para uma ou duas sessões plenárias. Sendo a Escola de Música Canto Firme mesmo ao lado da Linda’s School, tratámos de requisitar imediatamente o espaço que embora não conhecêssemos, sabíamos comportar pelo menos uma centena de pessoas.





Sessão Plenária de Abertura - Auditório da Canto Firme


Este último acabou por ser confirmado pela Canto Firme apenas na semana anterior à do Evento, ainda que nos nossos corações nunca houvesse a preocupação de pressionar a decisão, que veio, por fim, com extrema simplicidade e abertura.

Quando me dirigi ao local uns dias antes do Evento para o ver, deparei-me com algo extraordinário: um útero feminino! O local perfeito para este Evento, que ainda que não conhecêssemos quando dele nos recordámos, se materializou diante de nós serena e naturalmente.

Falámos com a Senhora Presidente do Município de Tomar, Anabela Freitas, no sentido de obter o apoio da Câmara e fomos recebidas com muito carinho e mais uma vez, simplicidade. Sendo que estávamos a organizar em simultâneo o Evento WEFx Tomar – Portugal Mulheres Bordadoras de Sonhos e o Evento Internacional WEF Portugal do ano de 2019, bem como a representação de Portugal no Evento Anual WEF em Nova Deli, na Índia de 26/4 a 1/5 de 2018, aproveitámos para tratar de tudo ao mesmo tempo, poupando esse bem tão precioso.

Ainda que a Câmara tivesse acedido a oferecer papel e canetas – pedimos lápis por serem mais ecológicos, mas não tinham – acabámos por cortar também esse gasto de recursos pois na realidade todas as pessoas que viriam ao Evento teriam com certeza em casa cadernos e canetas ou lápis para trazer e usar para si mesmas. Foi o que acabámos por pedir que todos trouxessem.

E acabámos por não imprimir programas para distribuir no dia do Evento porque por um lado já os tínhamos enviado a todos por email e partilhado nas redes sociais, e por outro estaríamos mais uma vez a desperdiçar recursos. Decidimos em vez disso, afixar um programa em ponto grande na entrada da Linda's School e o alinhamento de palestrantes à porta de cada sala, pois quem quisesse ter o programa sempre consigo poderia fotografá-lo na entrada e consultá-lo no seu próprio telemóvel.

Desta forma poupámos também os icónicos sacos, geralmente de pano, que se recebem na credenciação de Eventos desta natureza e as famosas pastas, de cartão, é certo, mas que se acumulam após cada Conferência a que assistimos, sem muitas vezes sabermos que uso lhes darmos depois. 

A Senhora Presidente forneceu-nos o contacto da fábrica onde encomendam as canecas de barro para a Feira Medieval e Festival da Sopa pois não queríamos ter copos de plástico e tão pouco de papel.

Por fim decidimos que esse era mais um recurso dispensável e de entre todos, Comissão Executiva e amigos, angariámos canecas, todas diferentes, para as pessoas usarem durante o Evento e deixarem ficar no final, cada um tomando conta da sua própria caneca durante o dia. 

Os crachás não poderiam ser de plástico mas seriam necessários para que as pessoas se pudessem identificar umas ás outras e comunicar e interagir de forma mais simples. Fizemo-los em papel de 300 gramas e decidimos que em vez de colar o alfinete no verso, uma vez que a cola não tem nada de ecológico, seriam simplesmente colocados à chegada, com a mais valia de que o alfinete seria simbolicamente alusivo ao Bordado que se viria a Tecer ao longo da ocasião.

A máquina de café: sem pastilhas. E por fim, sem máquina de café. Quem precisasse muito de um café poderia ir ao café mais próximo e fazer circular um pouco a economia local.

A cevada: moída na hora e trazida em saco de pano.

O chá: apanhado no jardim, ervas frescas e secas, com os aromas naturais de Portugal.

A água: servida em jarros e trazida de uma fonte pura em garrafões reutilizáveis.

As flores: compradas ao molho e trazidas sem plástico (infelizmente a senhora que nos trouxe as flores não percebeu esta parte e trouxe os ramos embrulhados em plástico, mas sem dramas, seguimos adiante).

Pensámos em ter paus de canela em vez de colheres, para quem quisesse adicionar açúcar ao chá ou à cevada, mas as embalagens vêm cheias de plástico e decidimos trazer colheres de casa.

Pedimos ás Pastelarias Tropical e Pic Nic apoio para os bolos e salgados trazidos em caixas de cartão, bem como à Bio Thomar, que para além de húmus e pão caseiro, também nos cedeu açúcar mascavado, ainda que em embalagem de plástico (a nossa intenção era açúcar avulso, em saco de papel). Mais uma vez um pequeno pormenor que aceitámos com muita gratidão pois um saco de quilo de açúcar, mesmo de plástico dá para muuuuitos chás e cafés.

Decidimos fazer bolos saudáveis também nós – mas houve amigos e participantes que com carinho trouxeram, só porque sim, as suas deliciosas contribuições, e de repente a nossa cozinha inundou-se de tantas iguarias feitas com amor que deram para os dois dias e ainda sobraram em abundância tal que no final toda a Comissão Executiva e os voluntários que ficaram, levaram comida para casa, mais uma vez, plenos de gratidão… e com menos de um saco de lixo de 30 litros cheio (com lixo biodegradável – à exceção dos 3 embrulhos dos ramos de flores e de um pacote de quilo de açúcar), para um Evento de 2 dias e mais de 70 pessoas.



José Branquinho a partilhar connosco a sua arte, com muito Amor



De referir que o almoço de domingo, dia 25/3 era de partilha, ou seja, cada pessoa deveria trazer algo feito em casa com carinho para partilhar com todos, bem como um prato, talheres e copo laváveis. Não só foi plenamente respeitado este nosso pedido, como as pessoas trouxeram de facto muito de tudo, feito com Amor e em tal abundância que, como disse anteriormente sobrou para mais dias da semana.





A sustentabilidade foi mantida não só no que diz respeito aos recursos materiais, mas também na poupança de energia na organização, definida com antecedência e rigor, sem preocupação, stress ou agitação, sem entrarmos em esforço ou conflito e sem duvidarmos nunca do sucesso do resultado final.

Tínhamos uma meta para atingir – o Evento propriamente dito – e a certeza da simplicidade com que o queríamos realizar foi uma constante.

O Amor foi, é e será sempre a nossa força.

Amanhã dou-vos conta do resto 😊

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