quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 8

Dia 7 – 20 de Agosto


Confia!


Hum, que noite tão tranquila! Ficámos numa daquelas paragens em que há árvores e mesas e casas de banho mas esta é enorme. Tem um espaço muito grande, quase como um parque de campismo à beira da autoestrada. Até houve um casal que decidiu montar a tenda! Mas o ruído dos carros próximo dali não deve ter sido muito agradável porque de manhã cedo quando acordámos já lá não estão.

Há também gente a dormir em autocaravanas e claro camiões, mas esses ficam lá para cima. Não há é “car-vans”, pelo menos até agora. E também não há carros portugueses por aqui. Se calhar vem mais gente de avião que de carro nestas visitas alargadas pela Europa. 

Estamos prontos para mais um dia pleno de deslumbre e serenidade.

Para hoje escolhi experienciar o Amor da Essência em todas as coisas.

Tomamos a primeira saída logo após a paragem onde dormimos e a portagem é só 2,10€. Foi uma noite económica J Como aliás toda a viagem até agora. Ainda só gastámos 190€ para os dois, incluindo combustível. Este último depósito deu 1017 km, com uma média de 4.1 e 50 km hora e fizemos até agora 2000 km ao todo. Aqui em França temos andado quase sempre pelas nacionais, tirando esta ocasião em que entrámos na autoestrada para encontrar um sítio tranquilo, seguro e com boas condições para passar a noite.

O nosso próximo destino é Avignon – cidade linda à beira rio, com um não sei quê de medieval. 

Quando chegamos e vemos o casco histórico lá ao longe, encontramos uma ruela sem saída à sombra onde comemos uma das nossas saladas e depois vamos à procura do nosso parque grátis que acabamos por encontrar, claro! Nem sempre, mas por enquanto mais vezes que não. Temos é que andar um bocadinho para depois chegar aos centros históricos, porque os parques grátis ficam a pelo menos um ou 2 km desses lugares. Assim vamos sempre desemperrando as pernas.





Mais e mais ficamos entregues à confiança de que realmente tudo o que precisamos aparece no momento certo. Sabemos que assim é, sentimos que assim é e constatamos que assim é.

Depois de Avignon decidimos fazer o circuito dos campos de alfazema, ainda que o verão não seja a melhor época para isso, mas arriscamos e seguimos para Sault, dando a volta Gorde para depois chegar a Aix-en-Provence. 

A alfazema já foi colhida, mas a região não deixa de ser deslumbrante. E o aroma a alfazema perfuma todo o nosso caminho. Quilómetros e quilómetros perfumados! Imagino a vista magnífica dos campos lilases. Será decerto algo memorável.

Mas olha! Ali à esquerda está um campo que não foi colhido!!! Como fica próximo de uma quinta onde fabricam artesanalmente essência de alfazema, devem ter deixado este campo por apanhar, para saudar os visitantes. Iupiiii!


Deleitarmo-nos por estas paragens é um festim para os sentido. O olhar encantado, o olfato extasiado e até o paladar docemente agradado, mesmo sem ingerir nada. Que plenitude! O Amor da Essência está literalmente aqui <3 mas não só da Essência de alfazema...

Em Aix-en-Provence, também muito bonita, compro um sabonete de alfazema porque o meu frasquinho de gel de banho ficou no primeiro chuveiro, aquele da estação de serviço que até tinha chuveiro de água quente! Deve ter sido com a alegria do banho... a mente ficou de folga ;) Junto com o sabonete vem um saquinho de alfazema para perfumarmos o carro com este dia inesquecível.

Passamos de seguida por Marselha mas entramos por um bairro étnico cheio de lixo, lojas pobres e sujidade nas paredes, muito trânsito e confusão generalizada de gente por todo o lado e percebemos que chegámos a uma grande capital de distrito ou algo do género. Demasiado urbano para mim, para nós. Passamos por dentro da cidade só de carro, decidindo não parar. Queremos sair daquela confusão. É de certeza hora de ponta e tudo aqui está em direta oposição com o resto do dia. 

O sol já vai baixando e urge encontrar um sítio para pernoitar. Como estamos perto do mar há muitos campings, uns a seguir aos outros pelo que vamos andando até sentirmos que já chega.

Paramos num camping chamado Baie des Anges – Baía dos Anjos – mesmo apropriado para nos acolher. Dizem-nos que podemos ir ver os lugares X e Y e escolher qual queremos. E não é que o lugar que escolhemos até tem uma mesa de madeira com bancos?! Fantástico. É que nós não viemos carregados com essas coisas para deixarmos livre espaço para podermos converter a morfo-viatura. Seja como for, sabemos que temos sempre tudo o que é preciso por isso a nossa confiança oferece-nos sempre surpresas assim como esta. Gratos.

Depois de fazermos o check-in no camping, decidimos ir até à praia que fica a cerca de 1 km. Vamos a pé, claro. Mas parece-nos mais que um quilómetro. Chegamos mesmo quando o sol se está a começar a preparar para a descida rápida do final de tarde, em que todo o horizonte se começa a aperaltar de rosa para a noite de gala com a lua.

A praia não é de areia, é de pedras, grandes e redondas - não muito fáceis de trilhar. Mas mesmo assim não podemos prescindir de um banho de mar, para refrescarmos corpo e alma, especialmente depois de termos caminhado até aqui! E sabe-nos pela vida, este mar fresco e límpido. A praia chama-se Lloquet, e a imagem fica-me bem gravada na retina, por ser uma praia diferente, por ser tão bem vinda ao fim de um dia cheio de quilómetros e por ser especialmente bonita, com o seu vestido de entardecer rosa dourado.


De volta ao camping o banho quente é a cereja no topo do bolo! Coisas tão simples que nos conseguem preencher tanto que nem temos fome. Mas comemos umas peças de fruta e frutos secos com água da fonte que ainda temos do Alentejo e estamos prontos para uma noite com os Anjos, que camping com esse nome tem que os ter em abundância. 

É a nossa primeira noite na tenda, a nossa primeira dormida paga desde que saímos de Portugal, e paga com muita gratidão. Realmente a ideia de trazer dois colchões para cada um, daqueles que se dobram em três, foi genial. O nosso leito é digno de Rei e Rainha.

Simples, momentos simples, coisas simples que nos fazem transbordar de grata plenitude.



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