quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Manual O Fluxo da Abundância 6

Vício, Hábito, Compulsão, Adição


Decidi ver o que diz o dicionário acerca destas palavras. (Definições retiradas do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa):
Vício:
1. Defeito ou imperfeição.
2. Prática frequente de ato considerado pecaminoso.
3. Tendência para contrariar a moral estabelecida. = DEPRAVAÇÃO, LIBERTINAGEM
4. Hábito inveterado. = MANIA
5. Dependência do consumo de uma substância (ex.: vício do álcool).
Hábito:
Prática frequente. = COSTUME
Compulsão:
1. Força (que compele).
2. O ato de compelir.

Compulsivo:
1. Que compele ou é destinado a compelir.
2. Que não se consegue conter ou a que não se consegue resistir.
Adição:
[Medicina, Psicologia]  Dependência física ou psíquica.
***
É que cheguei à conclusão de que todos nós vivemos este padrão repetitivo, compulsivo, de necessidade incontrolável em alguma área das nossas vidas, não importa a palavra que escolhamos para o definir. Também não importa que à primeira vista não te pareça que tenhas alguma compulsão. Mas tens, decerto, de forma mais clara ou mais subtil, pouco importa.

Para quê? Bem, cada um terá que ver qual é o propósito dos seus hábitos compulsivos. Mas sabes, no geral o propósito é o mesmo: mantermo-nos entretidos e submissos a algo mais poderoso que nós, supostamente. Enquanto acreditarmos que não somos capazes de transformar esse hábito compulsivo (escolhi chamar-lhe assim, mas podes escolher a designação que mais te agradar), vivemos sob o seu comando. E o que acontece é que ocupamos muito do nosso tempo/espaço e eventualmente dinheiro, ou seja, ENERGIA, nesse mesmo “vício”. E o giro é que é nosso! Não pode ser mais poderoso que nós porque é uma parte de nós! Não é algo ou alguém que nos obriga a ficar nesse padrão fixo, é uma parte nossa que nos manipula no sentido de nos mantermos presos a ela, sem ver para além disso. São partes nossas muito teimosas, diga-se! E resistentes! Mas se as temos é porque somos igualmente teimosos e resistente! E capazes de converter a energia usada a validar esses hábitos compulsivos, de uma outra forma criativa não compulsiva. O problema é que quando finalmente removemos todos os hábitos compulsivos da nossa vida fica muuuuuuito espaço vago, muuuuuito tempo livre e ficamos atrapalhados, porque estávamos programados para preencher o que está vago! E toca de preencher criando outro hábito compulsivo que substitua o anterior. E depressa, que esse tempo/espaço todo faz impressão. Ou poderás escolher finalmente permitires-te sentir como é ter espaço vago na tua vida, tempo livre na tua vida, dinheiro de sobra… E depois? O depois vai acontecendo!

A que é que chamo de hábitos compulsivos? Há muitos, e muitos nem sequer conseguirei mencionar, mas ficam aqui alguns exemplos só para te situares no tema:

Tabaco, álcool, café, haxixe, erva, anfetaminas, LSD, cocaína e todas as drogas de que te consigas lembrar às quais possas sentir-te compulsivamente ligado/a, sexo, medicamentos, doenças, depressão, stress, ansiedade, preocupação, dívidas, comida, doces, não comer, exercício, controlo de peso, limpeza, arrumação, trabalho, família, barulho, televisão, computador, internet, jogos (é giro colocar aqui jogos, porque na realidade todos os vícios/hábitos compulsivos são jogos!), busca de algo, cursos, compras, filmes, drama, negócios, mentiras, futebol e outros desportos, animais, plantas, análise, pesquisa, questionamento, ativismo, luta por uma causa … E tantas coisas mais. Enfim, tudo o que fazes porque te sentes compulsivamente impelido a praticar e que de alguma forma  te toma mais tempo/espaço e/ou dinheiro do que seria confortável para ti. Aquilo com que te entreténs, diria, mas que te faz de alguma forma sentir culpado/a ou que até gostas mas cujo propósito real te escapa. E saliente-se que não é para ti claramente um entretenimento, geralmente não te dás conta disso. Tudo aquilo que te faz sentir farto/a, impotente, incapaz de largar/mudar. Tudo aquilo que é baseado numa crença que te foi incutida mas que nunca questionaste, ainda que te obrigue a fazer, dizer, ser de alguma forma que sentes não ser realmente tu ou a tua vontade. Tudo o que fazes por necessidade. Tudo o que te faz sentir “menor” ou “maior” do que realmente és. Tudo o que é porque tem que ser. Tudo o que é porque é o correto. Tudo o que é porque não saberias viver de outra forma.

Ora sente lá. Respira fundo, silencia a mente e foca-te num dos teus hábitos compulsivos, um daqueles que gostarias de alterar mas que sentes que é mais forte que tu. Se tu o removeres da tua realidade sente lá o espaço vago que fica… o tempo livre que fica… e eventualmente o dinheiro que sobra…E o Poder que ganhas sobre as tuas partes rebeldes J Assusta-te teres assim tanto espaço vago, tanto tempo livre, tanto dinheiro disponível, tanta auto-responsabilidade?

É um paradoxo, porque passamos a vida a dizer que queremos ter paz, que queremos ser felizes, que queremos amor nas nossas vidas, que queremos tranquilidade, que queremos harmonia, que queremos equilíbrio, que queremos e queremos e queremos… Mas se olharmos realmente para o que temos, na verdade já lá está tudo isso, só que está a ser usado de uma forma pouco eficiente mediante o que dizemos que queremos, e por vezes até no sentido oposto. Será que é mesmo paz que queremos? Será que queremos mesmo ser felizes? Será? O que vamos fazer então, quando tivermos isso tudo? Parece que fica um vazio que não sabemos preencher. E não sabemos mesmo, porque a parte de nós que sabe o que é ser paz, amor, alegria, serenidade, prosperidade, harmonia, equilíbrio… LIBERDADE- essa parte de nós não é a nossa parte pensante, que é a que cria os vícios / hábitos compulsivos. É a nossa Essência. A parte de nós que está para além do pensamento. É a parte de nós a que se acede através da intuição e do sentir, ou poderíamos dizer, através do “coração”. Só que nós nunca lhe demos muito espaço/ tempo para se expressar e mostrar-nos uma forma nova de viver a vida, sem repetição, compulsão, hábito. Uma vida nova passo a passo, momento a momento, que se preenche por si mesma, tal como a respiração. Uma vida nova que se cria e recria sem apego ao conhecido, sem adição, sem necessidades incontroláveis. Uma vida simples, abundante e plena.

A questão é: ainda precisas do/s teu/s hábito/s compulsivos? Essas experiências ainda te preenchem/satisfazem de alguma forma produtiva? Quais são as tuas crenças sobre a simplicidade?

Depois de reveres estas questões, e apenas se assim o entenderes, então escolhe de novo. Não há grande mistério nisto. É mesmo muito simples. É por isso que as partes complicadas têm dificuldade em conviver com a simplicidade. Ela não é um entretenimento. Ela é simplesmente simples!

Há também a evidência de que só podes largar mesmo um vício/hábito compulsivo quando o impulso interno para fazê-lo for suficientemente forte. Quando o “BASTA!” for suficientemente verdadeiro e convincente para ti mesmo/a! Quando a escolha for firme e segura! Quando te assumes com responsabilidade total sobre ti mesmo/a! É uma espécie de clique interno que te faz mudar de canal, e de repente vês tudo com muita clareza e perguntas-te porque continuas com esse hábito e até te ris de ti, com muita naturalidade, sem mágoa, sem julgamento, sem tapar mais o sol com a peneira. Não é estar farto/a. Não é isso. O estar farto/a apenas valida o hábito compulsivo, dá-lhe força para provar que é mais forte que o teu estar farto/a, que a tua zanga com ele, que a tua vontade de o exterminar. Estar farto/a mantém-te em esforço. Mantém-te no jogo, lutando contra algo que não queres mas que ainda assim sentes que é mais poderoso que a tua vontade. E lutas, e lutas, e lutas. Xiiiii! Quanta energia gastas nisso! Estar farto/ é ainda uma negação de ti mesmo/a, não aceitação – desamor. O clique é aceitar que tens esse hábito compulsivo, aceitar que te tens divertido com isso, que tem servido algum propósito até agora útil e a decisão de que já não te serve mais. Sem luta. Sem culpa. Sem mágoa. Com gratidão. Com leveza.Com SIMPLICIDADE!!! Aí não há hipnose que te comande! É que um hábito compulsivo é como uma hipnose auto induzida. É por isso que a hipnose clínica funciona bem para mudar hábitos. Só que ela também coloca em ti um outro gatilho que se opõe ao hábito, acabando por eliminá-lo. Mas fá-lo fazendo-te sentir que aquilo te faz mal, que te prejudica, que tens que largar esse hábito porque te é desconfortável. O que sugiro aqui é assumires o teu próprio poder! Sem necessidade de gatilhos para te fazerem largar o que já não queres. O que te proponho é que olhes para ti com muita honestidade e transparência, que vejas se esse hábito ainda te serve, e que reconheças para que te tem servido. Que escolhas o que queres. Que largues porque é a tua escolha, porque esse jogo chegou ao fim, porque já não te diverte, porque queres ter essa energia disponível para usar de forma criativa, para viver assumindo a tua vida, o teu poder, a tua realidade, o teu mundo! Afinal de contas és só tu contigo mesmo/a! Os teus hábitos compulsivos são teus! Sim, podes ter o “apoio” de outros para jogar esse jogo, é verdade, mas és tu que decides quando o queres largar. E quando largas o jogo essas pessoas que jogavam o jogo contigo terão que jogar com outra pessoa.

Depois de largar o dito vício podes escolher desfrutar do que era um vício quando te apetecer, não por compulsão ou necessidade, e sem medo de seres impelido de novo para o hábito. Porque haverias de ser? É essa a tua escolha?

Escolhe e deixa que aconteça por si mesmo, porque escolheste, sem mais lutas contra… Coopera com a tua vontade real, sem lutar mais contra o que defines não sê-lo. Confia na tua capacidade natural, intrínseca e inata de largar o dito vício naturalmente – sem esforço.

Não podes ser mais pequeno que tu mesmo!!! Aliás, o que mete medo é mesmo a tua grandeza porque esse espaço todo que fica vago, esse tempo todo é energia disponível para a tua consciência expandida e ela é muuuuuuuuuuito ampla, muito mesmo. E puft! O jogo da pequenez desaparece J


Exercícios de Reflexão:

Quais são os teus vícios / hábitos compulsivos? Procura responder sem pensar, permite que te ocorram as respostas.


Que propósitos servem?


Ainda precisas do/s teu/s hábito/s compulsivos? Essas experiências ainda te preenchem/satisfazem de alguma forma produtiva?


Se os removeres da tua vida, assusta-te teres assim tanto espaço vago, tanto tempo livre, tanto dinheiro disponível?


Quais são as tuas crenças sobre a simplicidade?


O que é que escolhes para ti a partir deste momento?
















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